- TERÇA, 26 DE SETEMBRO DE 2023

ESTELIONATO: O golpe do hospital

 Usando o nome de profissionais da saúde, golpistas tentam extorquir familiares de pacientes internados nos hospitais privados de Cuiabá. A ação criminosa não é nova, mas vem ocorrendo com maior frequência.

Uma das vítimas mais recentes foi N.M.Q., que procurou a Polícia Civil para registrar boletim de ocorrência (BO).

Na delegacia, ela contou que a irmã, A.M.S., encontrava-se internada na unidade de tratamento intensivo (UTI) do Hospital Santa Rosa e que recebeu uma ligação de uma funcionária da administração hospitalar, informando-a sobre “uma movimentação estranha e que possíveis falsários estavam se passando por médicos”.

Causou estranheza também à N.M o fato de a funcionária dizer que o nome da irmã estava na lista de relação dos falsários e que ela poderia receber a ligação dos golpistas. Nisso, a vítima constatou a existência de duas chamadas em seu telefone. Logo em seguida, ela recebeu outro chamado de um homem dizendo se chamar Bruno e que seria clínico-geral da UTI.

A vítima conta que o falso médico disse que o estado de saúde da irmã tinha se agravado e que era necessário fazer um exame que o plano de saúde não cobria.

Para isso, deveriam ser depositados R$ 2 mil. “Pedi o CRM do suposto médico, que desligou a ligação”, informou. Não se sabe ao certo como os golpistas conseguem dados ou número do telefone das vítimas.

A diretora-executiva do Sindicato dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Mato Grosso (Sindessmat), Patrícia West, afirma que os hospitais não fornecem dados de pacientes para nenhum estranho e que há algum tempo vêm alertando pacientes e acompanhantes para tentar evitar os golpes. “Já na recepção os hospitais têm orientado e feito esse alerta”, afiançou.

Patrícia garante ainda que não é procedimento das unidades hospitalares solicitarem depósitos – e que questões envolvendo pagamentos ou cobranças são tratadas diretamente na tesouraria. Ainda no início deste ano o Sindessmat emitiu alerta à população referente ao golpe que começou a ser aplicado dentro das unidades de saúde do Estado.

Entretanto, apesar de frequentes, muitas vítimas não registram as ocorrências na Polícia Civil. Da Delegacia de Estelionato, o delegado José Carlos Damian confirmou que, até o momento, houve a denúncia formal de um caso envolvendo um agente da Segurança Pública.

“Tem um boletim de ocorrência de um policial civil. Tentaram aplicar o golpe nele, mas como já tinha conhecimento, ele não caiu. Estamos investigando”, informou. Vale lembrar que a investigação só começa quando vitima faz boletim de ocorrência.

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